Cantareira cai para 18,4% e entra em nível crítico de operação em São Paulo

Publicada em: 15/01/2026 17:34 -

Principal sistema de abastecimento da Região Metropolitana opera abaixo de 20% e acende alerta para a gestão hídrica no estado

A crise hídrica voltou a acender o alerta no estado de São Paulo com a redução acentuada dos níveis dos principais reservatórios. Nesta quinta-feira, o Sistema Cantareira registrou 19,4% de volume útil, segundo dados divulgados pela Sabesp. O índice coloca o sistema abaixo do patamar de 20%, condição que caracteriza situação crítica de operação.

O Cantareira é responsável por atender cerca de metade da população da Região Metropolitana de São Paulo, com foco especial em cidades como Mairiporã, Atibaia, Nazaré Paulista, Piracaia, Joanópolis, Vargem e Bragança Paulista (onde ficam os mananciais), e também contribui para o abastecimento de municípios de Campinas e das bacias dos rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí, ampliando o impacto do cenário atual.

De acordo com a SP Águas, agência responsável pela gestão dos recursos hídricos no estado, volumes abaixo desse limite enquadram o sistema na chamada Faixa 4 de operação, estágio que indica maior risco ao abastecimento e exige medidas mais rigorosas de controle. A queda ocorre em um contexto de altas temperaturas, chuvas irregulares e aumento no consumo de água, fatores que pressionam os mananciais em todo o território.

Desde outubro do ano passado, o Governo de São Paulo passou a adotar um modelo considerado mais moderno de monitoramento e gestão integrada da água. O sistema leva em conta o comportamento conjunto dos reservatórios que compõem o SIM (Sistema Integrado Metropolitano) permitindo decisões baseadas no desempenho global dos mananciais e não apenas em reservatórios isolados. O SIM reúne sete sistemas interligados, incluindo o Cantareira, e foi estruturado para tornar a operação mais flexível.

Esse modelo trabalha com uma classificação em sete faixas, que orientam a adoção de medidas conforme os níveis de armazenamento ao longo dos períodos de chuva e estiagem. A proposta é antecipar ações e evitar o agravamento do cenário. As mudanças de faixa só entram em vigor após a permanência dos índices por sete dias consecutivos, enquanto a flexibilização ocorre apenas depois de 14 dias seguidos de melhora.

Nas faixas iniciais, de 1 a 3, as medidas têm caráter preventivo, com foco no consumo consciente e na redução de perdas na rede de distribuição. Nesses estágios, podem ser adotados regimes diferenciados de abastecimento e controle da demanda, especialmente no período noturno. A partir das faixas 4, 5 e 6, consideradas de contingência controlada, há ampliação do tempo de redução da pressão da água, que pode chegar a até 16 horas por dia. O nível mais severo, a Faixa 7, prevê rodízio entre regiões e a utilização obrigatória de caminhões-pipa para garantir o funcionamento de serviços essenciais.

O governo estadual afirma que a superação de períodos prolongados de seca depende tanto da gestão técnica quanto da participação da população. A Sabesp e os órgãos de controle acompanham diariamente a situação dos mananciais e mantêm obras em andamento para ampliar a resiliência do sistema, além de ações emergenciais, como o uso de caminhões-pipa.

Diante desse cenário, as autoridades reforçam a importância de atitudes simples no dia a dia para reduzir o desperdício. Diminuir o tempo de banho, substituir a mangueira por balde na lavagem de veículos e evitar o uso de água para limpar calçadas estão entre as práticas que ajudam a preservar os reservatórios e contribuem para a segurança hídrica em um momento de maior vulnerabilidade no abastecimento do estado.

 

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