Monte das Oliveiras

Liberdade de imprensa atinge pior nível em 25 anos, aponta relatório

Liberdade de imprensa atinge pior nível em 25 anos, aponta relatório

Uso de leis para restringir atuação de jornalistas cresce e preocupa especialistas

A crescente criminalização do jornalismo tem se consolidado como um dos principais riscos às democracias contemporâneas, segundo aponta o relatório de 2026 da Repórteres Sem Fronteiras. O levantamento indica uma deterioração inédita no cenário global da liberdade de imprensa, com mais da metade dos países classificados em situação “difícil” ou “muito grave”, o pior resultado desde o início da série histórica, há 25 anos.

De acordo com a organização, o enfraquecimento do ambiente jurídico é um dos fatores mais preocupantes. O uso crescente de legislações restritivas, muitas vezes associadas à segurança nacional ou ao combate ao terrorismo, tem sido empregado para limitar o trabalho jornalístico, restringir o acesso à informação e, em alguns casos, justificar a perseguição e prisão de profissionais da imprensa. Esse movimento, que antes era mais associado a regimes autoritários, também tem avançado em democracias, ampliando o alcance da chamada “criminalização do jornalismo”.

O relatório aponta que essa tendência está inserida em um contexto mais amplo de pressão sobre a atividade jornalística, que inclui desde violência física e assassinatos até ataques políticos e fragilização econômica dos meios de comunicação. A retórica hostil contra a imprensa, somada ao uso de instrumentos legais para intimidar veículos e profissionais, contribui para um ambiente de desconfiança e enfraquecimento do papel da mídia como fiscal do poder público.

Nas Américas, o cenário também é de alerta. O estudo identifica queda nos indicadores de liberdade de imprensa em diversos países, com aumento de episódios de violência, repressão e discursos contrários à atuação de jornalistas. Mesmo em nações consideradas democráticas, há sinais de deterioração das garantias institucionais e avanço de práticas que restringem a circulação de informações de interesse público.

O Brasil aparece na 52ª posição do ranking, enfrentando desafios estruturais como a concentração dos meios de comunicação, pressões econômicas sobre veículos e histórico de violência contra jornalistas, especialmente em regiões fora dos grandes centros. Embora o arcabouço legal assegure a liberdade de imprensa, a ausência de políticas eficazes de proteção e o ambiente de polarização ainda representam obstáculos para o pleno exercício da atividade.

Para a organização, a combinação entre leis restritivas, fragilidade econômica do setor e hostilidade política configura um cenário que compromete diretamente o direito à informação e, consequentemente, o funcionamento das democracias.

*Reportagem publicada no impresso Jornal TRIBUNA da Cidade – Edi. 205 - maio2026

 

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